silly girl

Leituras de ontem:  José Carlos Fernandes, Fred e Alain Corbel. Quando estou meio anestesiada concentro-me em imagens. Letras, imagens, imagens, letras – BDler.

Hoje, estou só histérica, desconexa, desorientada e tonta, mas feliz. Aproveito!

Ouço Lisa Germano e Giant Sand, mais feliz ainda. E namoro no itunes o álbum de Bill Callahan*Apocalypse.

Mas mantenho a birra da semana: quero ver os Radiohead, quero ver os Radiohead, quero ver os Radiohead.

Hoje queria escrever sobre os jacarandás que floriram, sobre as ruas forradas de lilás e sobre muitas outras pequenas coisas que não consigo escrever agora . Bebo água, ando de um lado para o outro dentro de casa e espreito-o de dez em dez minutos para ver se está bem. Quando ele está doente há uma parte de mim que também fica doente.

ficcionada

A lebre do senhor Vatanen persegue-me as horas de almoço e os contos de Eudora Welty as horas antes de dormir, alternandos com os contos de Javier Marías. Conto por conto, adormeço.

Vermelho, negro, pele branca, sinais, sardas, fechar os olhos, um cigarro, sentir o sol, headphones, calçada, pés, andar, pensar, sorrir. Abrir os olhos, estar aqui e ali, insana, sentir-me bem assim.

punch

Detesto a frase: “se não os podes vencer, junta-te a eles”. Merda de ideia, não me junto a ninguém, sou do contra, não gosto de “ajuntamentos”e dispenso conselhos idiotas. Penso pela minha cabeça, não sou bem comportada, não quero! Não tentem dizer-me o que fazer, nem me dêem lições de moral. Gosto de ser independente, nariz no ar, arrogante às vezes, de não fazer favores. Odeio tanto a estúpida da frase que arranjei uma versão alternativa “se não os podes vencer, dá-lhes um soco no nariz”. E garanto que da próxima vez que a ouvir, vou acompanhar a arrogância da resposta com o gesto acima indicado, fica o aviso.

Adoro-te Polly Jean Harvey

just words

Com muito sono, escrevo, palavras, lentamente, monosilábica, adormecida. black & blue, pó, chatear-me, desanuviar, passear, metro, sair, bairro, conversar, não pensar mais no assunto, descansar, ouvir música, dormir.

Sim, preciso muito de dormir.

Yo La Tengo

introspectiva

Respirar o dia através de pequenos pormenores: blusa amarela florida, o calor, as nossas mãos juntas a caminho da escola, desenhos dentro da minha cabeça e também nas folhas do caderno, rapaz da bicicleta, andar muito, fumar um cigarro e ouvir música, fechar os olhos, ficar melancólica, também feliz, aproveitar o sol, ler, sentir a tranquilidade dos silêncios, divertir-me com os risos dele, sorrir. Retirar o peso às “grandezas” que me encolhem e perceber que o todo é apenas o conjunto destes momentos. Apreciar a leveza da constatação deste facto, respirar e conseguir viver o dia por inteiro.

 

em movimento

Entre livros. Quase a terminar o Cosmópolis de DeLillo, movo-me para novas leituras: “Enquanto Elas Dormem” de Javier Marías e “O Legado de Humboldt” de Saul Bellow.

Na cidade. Com o metro parado e os autocarros insuportavelmente cheios, ando, caminho, ouço música. Percorro a EUA de um só fôlego ao som de PJ Harvey, respiro o ar da manhã, caminho depressa, gosto de andar depressa. Sabe bem. O andar rápido pode ser um eufemismo quando se tem um metro e cinquenta e sete, mas não: sou uma pequenina veloz.

do acordar

Acordar depois de muitas horas de trabalho nas ilustrações, na realidade dormi três horas. Percorrer a casa trôpega de sono a esbarrar com todos os objectos da rotina matinal: tentar acertar na porta da casa-de-banho e acabar por bater na ombreira, magoar o joelho ao entrar na banheira, dar uma cabeçada na porta do armário da cozinha…

Uma hora depois despertei e com ele a meu lado (não houve escola) passeámos numa Baixa cheia de sol, amarela, luminosa.

ilustradora

Caderno verde, desenhos e esboços, caneta-pincel, papel de lustro, lápis de cor, tesoura, papéis, cola, caneta rotring, borracha, lapiseira, papel de aguarela, pincel: objectos e imagens que vou ver pela noite dentro.

De vez enquanto descanso os olhos no ecrã do mac. Sempre a ouvir música.