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Um dia vou ilustrar este poema.

POÇA DE ÁGUA

Recordo bem este medo de infância.

Evitava as poças,

sobretudo as novas, após a chuva.

Afinal, uma delas poderia não ter fundo,

ainda que parecesse igual às outras.

 

Ponho o pé e, de súbito, afundar-me-ei,

voando para baixo,

cada vez mais baixo,

rumo às nuvens reflectidas

ou talvez mais além.

 

Depois a poça secar-se-á,

fechar-se-á por cima de mim,

e eu para sempre trancada – onde –

ficarei com um grito não repercutido à superfície.

 

Só mais tarde compreendi que

nem todas as más aventuras

cabem nas regras do mundo

e mesmo que o quisessem,

não poderiam acontecer.

Wisława Szymborska

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Passear por Lisboa, enganar-me no caminho e desembocar  num bairro onde ainda há tascas, uma sociedade recreativa, música e pessoas a conversar dentro e fora de portas.

Encontrar uma caixa com livros para dar e lá dentro descobrir um número da Almanaque com o belo gato de Sebastião Rodrigues na capa. Jules Verne e Rex Stout na Vampiro ainda desenhada por Lima de Freitas.

E Flauta de Luz nº 2.

De regresso a casa: ler vezes três no metro.

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Passeios de sábado com tempo para matar saudades do rio.

“História da Literatura Portuguesa” de António José Saraiva sai, no momento certo, de uma caixa para confirmar ideias sobre um projecto em andamento.

ennui.

Agora que os dias começam a crescer é aproveitar e esticar o corpo com eles.