irritada

Cinco minutos de anúncios televisivos enquanto bebo o meu galão (a meio da manhã) no café do costume e saio de lá mais do que irritada. Já não suporto a conversa das poupanças, do vamos ser remediados, “pobrezinhos mas honestos”, do vivemos acima das nossas possibilidades e agora temos de ser bem-comportados, como se isto fosse verdade! Não suporto, porque isto me cheira a mofo, a incultura, a mediocridade, a provincianismo e a muitos outros “ismos” que me assustam.

Lamento, mas tenho desejos e muitas vontades. Preciso de comprar livros, ir ao cinema, jantar fora e conversar, ir ao teatro, a concertos, viajar para outros sítios, ouvir música. Também gosto de comprar sapatos novos, baton vermelho, saias giras, cigarros, jornais e revistas, brinquedos para o meu filho. Desejos inúteis, quero lá saber, são os meus desejos. Preciso deles para respirar, para pensar, sentir-me viva, livre, ser uma pessoa.

Preciso que outras pessoas também o façam, para podermos falar, discutir, trocar ideias, pensar pelas nossas cabeças. Sim, viver numa sociedade aberta, cosmopolita, culta, democrática. Não num país desigual, medíocre, onde o Estado exige aos cidadãos que cumpram os seus deveres mas não lhes devolve os seus direitos.

Sou mal-comportada, ainda bem, não quero é deixar de ser uma pessoa. E sobretudo que me digam quais são os desejos a que tenho direito, o que devo pensar, como devo agir. Isto está a tornar-se irrespirável, sufocante. Merda para a crise e para a moral política, social e individual que nos querem impingir.

 

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