verdes anos

Enquanto tirava esta fotografia e pensava em como gosto do meu bairro modernista e das suas redondezas, lembrei-me dos “Verdes Anos” de Paulo Rocha filmado mesmo aqui ao lado. Vi-o pela primeira vez quando tinha dezasseis anos, num ciclo de cinema no Fórum Picoas e nunca mais o esqueci. Aliás, foi nesse mesmo ciclo, que vi o “Belarmino” de Fernando Lopes e na altura, estes dois filmes transformaram/transtornaram a minha memória visual, gráfica e também emotiva. Ultimamente, quando atravesso o bairro nos meus percursos diários, com outras músicas a soarem nos headphones, é a banda sonora deste filme que ouço dentro de mim e, as imagens dele que correm nos meus olhos. Nesses momentos, regresso à sala do cinema e recordo a sensação de rebeldia, a rapidez, o movimento, a modernidade e a liberdade das imagens contra um ambiente asfixiante e repressivo. Lembro-me de Truffaut, que também descobri na mesma época e por quem me apaixonei, claro.

Muitas vezes, pesa-me a tristeza de sentir tudo isto inversamente. Ando, caminho e sinto o país a voltar para trás, é quando asfixio, falta-me o ar. É também nessas alturas que grito, refilo, digo palavrões, esperneio, dou pontapés.

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