nas nuvens

 

Andar muito, nariz no ar, cabeça nas nuvens, música nos ouvidos, ver azul, ver branco, às vezes tropeçar no nonsense publicitário e ver corações insuflados de kitsch!

Espreitar o Fahrenheit 451 que me devolveram ao fim de dois anos e encontrar nas palavras de Clarisse a apresentação perfeita para mim, só tenho de adaptar a idade: “tenho quarenta anos e sou maluca”.*

*”Caminhavam na brisa simultaneamente morna e fresca da noite, sobre o passeio de prata. Um ligeiro perfume de pêssegos maduros e morangos flutuava no ar. Ele olhou em volta e notou que tal coisa era impossível, em época tão avançada do ano.

– Parece-me que lhe devo dizer – disse Clarisse – Tenho dezassete anos e sou maluca. O meu tio afirma que as duas coisas acontecem ao mesmo tempo. Se te perguntarem a idade, diz-me ele, responde sempre que tens dezassete anos e que não és boa da cabeça. Mas não acha que é uma maravilhosa hora para dar um passeio? Gosto de cheirar as coisas, de as olhar, e algumas vezes passo toda a noite de pé, a andar, e vejo o Sol nascer.”

Fahrenheit 451 de Ray Bradbury, Livros do Brasil.

One thought on “nas nuvens

  1. Olá Débora. Acompanho os seus blogs desde o tempo do tue-tue, e gosto muito de ler este seu novo papel manteiga. Descubro novos livros, as músicas, os filmes, as fotos divirto-me com as observações do dia a dia. Mas o que lhe quero dizer é que o suplemento de Q de ontem do DN traz um artigo do Eurico de Barros sobre Ray Bradbury. E depois de ler este post e o do FB achei também eu uma coincidência. Se quiser acho que lhe posso enviar um PDF do artigo.

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