fechada para obras

Depois de passar a noite a alimentar-me de pastéis de Belém, de me ter deitado, cansada, a horas tardias, chateada com aquele “homenzinho” a ler um comunicado idiota, uma folha A4 que não dizia nada, acordo com uma dor de cabeça monumental e continuo chateada. Tomo o pequeno-almoço, tomo um comprimido para as dores de cabeça, percebo que já não são horas de ir à Anchieta e fico ainda mais chateada, porque pelo menos os livros desanuviam um pouco o enfado que sinto.

Sem vontade, agarro no livro de Silva Melo que troquei na semana passada por um livro que não me interessava nada, deito-me na cama e leio, crónicas que já li no Expresso e no Público há muitos anos atrás. Páginas que espreito às vezes na casa da minha mãe, a quem ofereci o livro quando saiu, porque foi com ela que conheci e aprendi a gostar daquelas memórias como se fossem minhas, os meus filmes, os meus livros, a Lisboa que compreendo, deitada leio, leio e finjo por umas horas que não se passa nada, leio e sinto-me como tantas outras vezes, bem mais confortável naquele tempo do que no meu.

Leio, mais logo passeio e também desenho, mas por hoje estou mesmo “fechada para obras”.

“Século Passado” de Jorge Silva Melo, Livros Cotovia, 2007.

2 thoughts on “fechada para obras

  1. Pingback: século passado | papel manteiga

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