a ler

“…Milhares de pessoas caminhavam pela Tverskaia, mas eu asseguro-lhe que ela só me viu a mim e lançou-me um olhar, não direi já ansioso, mas até como que doloroso. E o que me impressionou foi, não tanto a sua beleza, mas a invulgar solidão dos seus olhos, uma solidão nunca vista! Obedecendo àquele sinal amarelo, virei também para a ruela e segui-a. Caminhámos em silêncio pela ruela tortuosa e triste, eu de um lado, ela do outro. E, imagine, não havia vivalma em toda aquela ruela. Eu atormentava-me porque achava que devia falar-lhe, e inquietava-me porque não dizia nem uma palavra, e ela desapareceria; e não a veria nunca mais. E veja só, foi ela quem falou: – Gosta das minhas flores?…”

Amanhã posso dormir até mais tarde e aproveito: hoje acabo o “Margarida e o Mestre”.

Margarida e o Mestre, Mikhail Bulgákov, tradução de António Pescada, Relógio D’Água, 2007.

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