ler teatro

” (…) Jaime.  –  É estranho. Estranho, que o tempo seja tão variável. É estranho haver sol; estranho, não haver sol.

Magda. – Foi o que a Sílvia te disse uma vez.

Jaime. – Foi. O que nos dirá ela hoje?

Magda. – Terá ainda alguma coisa para dizer?

Jaime. – A Sílvia tem sempre qualquer coisa para dizer. Nela até o silêncio é um protesto. A Sílvia tem a certeza do erro e responde pela revolta e pela recusa.

Magda. – Mas é essa a atitude certa?

Jaime. – Nenhuma atitude é certa. Mas é preferível a consciência da revolta à inconsciência da aceitação. E não me venham agora falar em consciência da aceitação. Se tudo o que há para aceitar é falso, só o inconsciente pode aceitar. O lúcido recusa. No entanto a recusa não pode ser meta. Será o ponto de partida para qualquer coisa. A Sílvia diria: – o ponto de partida para nada. Só vale a pena ficar na revolta. É luta. – No entanto, talvez seja possível um recomeço certo e, depois então, a aceitação consciente do que está certo.

Magda. – A Sílvia diria: – Nada estará certo, nunca.

Jaime. – Talvez tenha razão. (…)”

da fabulosa peça “Os Chapéus de Chuva” de Fiama Hasse Pais Brandão, edição Minotauro que leio sem pausas, até o pano cair.

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