É possível apaixonarmo-nos por um livro?

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Claro que sim!

Li-o várias vezes ao longo dos anos em leituras de livreira ou seja, um bocado aqui, outro ali, numa espécie de flirt que me sabia bem. Mais tarde comprei a edição francesa da Folio que tentei ler mas desisti, o francês demasiado enferrujado levava-me para bem longe de uma leitura proveitosa do livro.

Em Dezembro do ano passado, num dos meus passeios habituais de fim de tarde pela baixa encontro-o na Anchieta. Não era dia de feira (penso que se deveu à época natalícia), estava muito escuro, já de noite mesmo e vejo-o pousado na mesa de um dos meus alfarrabistas preferidos, exactamente a edição que queria ter  – a das Novas Direcções da Estampa, com a fabulosa capa de Carlos Ferreiro. Aproximo-me e vejo as duas raparigas que já lá estavam a pegarem nele, o alfarrabista diz-lhes o preço (não estava caro, eu podia comprá-lo) e eu  paro feita tonta atrás delas, a repetir como uma espécie de mantra: “não o comprem, não o comprem, não o comprem”, e não compraram! pousaram-no novamente sem grande interesse e não perdi nem mais um segundo.

Passou mais algum tempo, até chegar a noite certa em que o podia ler de uma ponta à outra. Li-o assim mesmo há dias e sei que vou voltar a ele muitas outras vezes.

“Nadja” de André Breton, tradução de Ernesto Sampaio, Estampa – colecção Novas Direcções, 1971.

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