aquiagora

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Mais uns dias e tenho de o devolver à procedência (biblioteca), deixo passar um tempo e vou buscá-lo novamente, na realidade, gostava era de o ter.

Enquanto está por aqui, leio-o e hoje, um pouco cansada, habito um só poema, este.

POEMA

Alguma coisa onde tu parada
fosses depois das lágrimas uma ilha
e eu chegasse para dizer-te adeus
de repente na curva duma estrada

alguma coisa onde a tua mão
escrevesse cartas para chover
e eu partisse a fumar
e o fumo fosse para se ler

alguma coisa onde tu ao norte
beijasses nos olhos os navios
e eu rasgasse o teu retrato
para vê-lo passar na direcção dos rios

alguma coisa onde tu corresses
numa rua com portas para o mar
e eu morresse
para ouvir-te sonhar

António José Forte (40 Noites de Insónia, in Uma Faca nos Dentes)

“O Surrealismo na Poesia Portuguesa”, organização, prefácio e notas de Natália Correia, Frenesi 2002.

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